Entrevista exclusiva com Sérgio Besserman
Módulo: Quando se fala em responsabilidade
corporativa as pessoas logo pensam em empresas
que protegem o meio ambiente. Para o senhor como se define a responsabilidade
corporativa e
como ela se relaciona com a Sustentabilidade?
Sérgio Besserman: A natureza do
planeta não necessita da nossa "proteção".
A humanidade não tem capacidade de fazer mal à natureza na escala
de tempo dela, ou seja, milhões, dezenas de milhões de anos.
O problema da sustentabilidade diz respeito à humanidade, à civilização.
Poderíamos definir genericamente sustentabilidade como a internalização,
na economia de mercado, dos custos dos serviços ambientais que a natureza
nos presta e que temos utilizado como se fossem bens públicos, ou seja,
infinitos e disponíveis, de graça. Não são; e estão
começando a escassear.
Responsabilidade corporativa, a meu ver, tem uma dimensão micro
e uma dimensão macro. A micro diz respeito à percepção
de que junto com a consciência ambiental, aumentou a demanda social e
dos clientes sobre os parâmetros das organizações nessas
questões. A macro diz respeito ao próprio compromisso com os
acionistas quanto ao futuro das organizações e a obrigação
de estar atualizado com as transformações em andamento na economia
mundial.
Módulo: Hoje as empresas que estão
no Índice de Sustentabilidade Bovespa são um atrativo a parte
para os investidores. Quais outros benefícios a Sustentabilidade traz
para as empresas justificando o retorno sobre o investimento?
Sérgio Besserman: Esse é apenas um momento
inicial onde o retorno decorre dos ganhos de marca e imagem. Pensar nesses
termos hoje é ingenuidade. O nome do business nos próximos vários
anos é a precificação dos serviços ambientais,
que estão sendo degradados com a consequente modificação
radical da estrutura de preços relativos da economia global. Quem acertar
vive... quem errar morre.
Módulo: A Sustentabilidade é um
dos pilares da Governança Corporativa. Um sistema que trabalha Governança,
Riscos e Compliance de forma integrada seria por outro lado uma ferramenta
para se alcançar a Sustentabilidade?
Sérgio Besserman: Com certeza, mas não
suficiente nesse momento de transições rápidas e, às
vezes, abruptas. É preciso agregar também acesso ao conhecimento, o mais
atualizado possível, e atenção permanente às
decisões que estarão sendo tomadas no plano global nos próximos
anos. Esse último aspecto é um papel fundamental da governança
corporativa nos próximos vários anos.
Módulo: É quase um consenso que
falhas na gestão de Governança, Riscos e Compliance colaboraram
com a crise atual. Em sua opinião, quais os motivos para se investir
em GRC neste momento que já estamos vivendo uma crise econômica
mundial ?
Sérgio Besserman: O mundo que emergirá da
crise é incerto...estará melhor quem souber como adaptar-se.
Módulo: Uma vez que a administração
pública não possui a pressão de acionistas e do mercado,
o senhor poderia relacionar os principais benefícios que sistemas de
GRC poderiam trazer para estes órgãos?
Sérgio Besserman: O acionista controlador é o
político eleito para a função e o mercado são os
eleitores. Se haverá grandes mudanças, aqueles que não
acompanharem as transformações além de não cumprirem
com as obrigações de gestor serão penalizados pelo eleitorado.
Alegar ignorância não trará votos nem melhor gestão.
Módulo: No quesito Sustentabilidade, como
o senhor classificaria as empresas brasileiras em relação às
demais empresas do mundo?
Sérgio Besserman: Estavam bem no mundo de ontem...esse
mundo acabou. Poucas empresas brasileiras tem conseguido acompanhar e entender
a dimensão das mudanças nos próximos vinte anos.
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